sexta-feira, 1 de junho de 2012

Estreando em 4, 3, 2...

Estamos em clima de estréia!!!

Muito frio na barriga, e o frio do Sul aumenta ainda mais a ansiedade.
Amanhã, no TUI (Teatro Universitário Independente), 20h e 30 min, estreamos nosso novo espetáculo: O Primeiro Milagre do Menino Jesus.

Olha só a matéria que saiu no Diário de Santa Maria... Agradecemos à Marilice Daronco!

TEATRO

Ele está no meio de nós

‘O Primeiro Milagre do Menino Jesus’ encerra a programação da 2ª Mostra Artística Independente do Catálogo Teatro por que Não?

Em geral, ele é lembrado como o filho de Deus. Alguém que foi capaz de caminhar sobre a água e de fazer milagres como a multiplicação dos pães, de morrer na cruz para nos salvar de nossos pecados, além, é claro, de ressuscitar no terceiro dia. Mas é um Jesus Cristo “bem mais humano” que o Núcleo de Pesquisa Teatral Santa Víscera vai levar para o palco do Espaço Cultural Victorio Faccin neste sábado, no encerramento da 2ª Mostra Artística Independente do Catálogo Teatro por que Não? (Mosaico).

A peça O Primeiro Milagre do Menino Jesus é baseada na comédia homônima de autoria do dramaturgo italiano Dario Fo. O texto é uma parábola sobre a Sagrada Família que toma como referência os evangelhos apócrifos, que foram excluídos da Bíblia pela Igreja.

A peça conta a história a partir do nascimento conturbado do Menino Jesus até o dia do seu primeiro milagre. Ao contrário do que alguns poderiam imaginar, não se trata de um tema religioso, pois, na comédia, não traz um milagre convencional e, sim, da birra de um menino com poderes divinos realizado para chamar a atenção dos amiguinhos no Egito para conseguir entrar em uma partida de futebol. No texto, Jesus é uma criança que vive de nariz escorrendo e que vive todas as pirraças de um moleque mimado.

– Jesus vai para o Egito e é excluído pelas outras crianças, que não querem brincar com ele. Deve ter sido o primeiro caso de bullying da humanidade (risos). Para se integrar, ele faz seu primeiro milagre e, pássaros de barro começam a voar em meio às outras crianças. Não é uma crítica à Igreja, pelo contrário, mostramos que Jesus está no meio de nós, é um de nós – adianta a diretora do espetáculo, Graciane Pires, 27 anos.

A intenção do Santa Víscera não é criar polêmica, muito menos ofender a religião e, sim, provocar reflexão acerca da interpretação que fizemos da santidade e do sagrado e como pensamos estas noções no nosso cotidiano.

O espetáculo, que é encenado em formato de monólogo pelo ator Marco Antonio Barreto, 29 anos, faz sua estreia na cidade não só para encerrar o Mosaico, mas também para comemorar os três anos do Santa Víscera, grupo que nasceu em Santa Maria e que, depois, fixou sua sede em São Paulo. A peça está sendo ensaiada desde janeiro, mas Marcos iniciou a pesquisa do tema bem antes.

– O Marcos pesquisa o ator como principal recurso do espetáculo, o jogo do ator com o público. Neste espetáculo, ele chega a dialogar com quem está na plateia – conta Graciane.

Trajetória – Em São Paulo, o Santa Víscera conta com um catálogo do qual fazem parte, além da peça que está estreando, espetáculos como Sempre Aquela Velha História – baseado na obra de Dario Fo e Franca Rame – e O Urso – baseado na obra de Anton Tchekhov. O grupo, que chegou a ter seis integrantes, mas que, atualmente só conta com a atuação de Graciane e Marco, também participa de outro projeto em São Paulo, o Teatro à La Carte, que oferece fragmentos teatrais de diversos gêneros dramáticos em um cardápio de mais de 20 cenas. Elas são apresentadas conforme a solicitação dos espectadores que veem a peça no espaço público, em locais não convencionais.

– Sempre é bom voltar a Santa Maria, porque a gente tem uma história ligada à cidade. Foi nela, por meio da UFSM, que tivemos nossa formação profissional e foi na cidade que nasceu o grupo. É uma relação afetiva, por tudo o que se aprendeu e as experiências que vivemos em Santa Maria. Será bom poder mostrar nosso trabalho e estar em contato com o pessoal daqui – afirma Graciane.

Na avaliação do Teatro Por que Não?, organizador da Mosaico, o evento deste ano foi positivo. O público lotou o Theatro Treze de Maio e o espaço Cultural Victório Faccin ao longo das cinco peças já apresentadas e participou da programação paralela que começou no dia 3 de maio.

marilice.daronco@diariosm.com.br
MARILICE DARONCO 

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